4 histórias divertidas para leres! | Pplware Kids

4 histórias divertidas para leres!

Olá meninos e meninas! Como vão?

Hoje trago-te uma seleção de algumas histórias curtinhas para tu leres. São muito divertidas e boas para a tua criatividade.

imagem_historia00_small


O Cavalinho Branco de António Torrado

imagem_historia01_small

Era uma vez um cavalinho branco. Mas não era todo branco o cavalinho branco. Tinha estrelas azuis, muitas estrelas azuis espalhadas por todo o corpo e uma estrela maior no lugar do coração. Era um cavalinho branco às estrelas azuis.

Roda, roda, roda
na grande roda o cavalinho.
Roda, roda, roda
Corpo de estrelas, flor no focinho.

Não seria bem uma flor, mas quase. Parecia mesmo uma flor. Só um cavalo especial, um cavalo raro, pode assim mostrar uma flor no focinho e tantas estrelas azuis pelo corpo todo.

Este era um cavalo especial, um cavalo de carrossel.

Não andava contente com a sua vida, o cavalinho branco às estrelas azuis. Aquilo de ter de fingir que trotava, sempre à roda, sempre à roda, aborrecia-o. O barulho da música gritada pelos altifalantes e as vozes dos homens que apregoavam farturas e as luzes que baloiçavam dos fios e tremiam, tremiam, e o carrossel, dia e noite, a rodar, a rodar, mais uma volta e mais outra e outra — uf! — punham a cabeça do cavalinho branco também às voltas.

— Não aguento mais estas tonturas — dizia o cavalinho branco. — Vou mudar de vida.

E mudou.

Correu pelos campos, saltou valados, chapinhou nos regueiros e bebeu a água fresca das fontes. Bem bom.

Mas um cavalinho branco às estrelas azuis, para mais em liberdade, acaba por dar nas vistas. Foi o que lhe sucedeu.

Um senhor de grande bigodes retorcidos, botas de montar e chapéu alto, como já ninguém usa, viu-o, uma vez, e gritou-lhe de longe:

— Eh, cavalinho, queres um torrão de açúcar?

Ele queria e veio buscá-lo. Então o senhor que usava botas de montar fez-lhe uma festa no pescoço e disse:
— Anda comigo que, mais logo, quando chegarmos ao circo eu dou-te o açúcar…

Lá foram, o cavalinho num trote curto de cavalinho bem disposto e o senhor de bigodes retorcidos a retorcê-los ainda mais, muito sisudo.

Quando chegaram ao circo, o senhor dos bigodes meteu o cavalinho numa espécie de jaula e disse-lhe assim:

— Logo, quando terminar o espectáculo, se tudo correr bem, dou-te o torrão de açúcar.

Um dos números mais aplaudidos do espectáculo era o do ilustre cavaleiro Arnaldo de Aguinaldo e os seus cavalos amestrados. Os cavalos emplumados e de arreios dourados trotavam à volta da pista, saltavam ao arco, dançavam ao som de uma valsa e ficavam muito quietos, como se fossem estátuas, quando o ilustre cavaleiro Arnaldo de Aguinaldo fazia estalar o chicote, de certa maneira. Eram, aqui fica dito, cavalos muito bem mandados.

Nessa noite, havia um número novo, um cavalinho engraçado, que o domador Arnaldo de Aguinaldo esperava que viria a ser a “estrela” mais brilhante da companhia. E com razão, pois então! Sim, porque não fazia sentido que um cavalinho branco, com o corpo coberto de estrelas, não fosse a “estrela” maior da companhia…

Dava gosto vê-lo, ao cavalinho, a trotar à roda, à roda, sempre à roda da pista, e o senhor cavaleiro Arnaldo de Aguinaldo no meio, de braços abertos, com o chicote numa das mãos e o chapéu alto na outra, como se quisesse dizer: “Admirem, excelentíssimos senhores, as maravilhas que eu tenho para mostrar. Isto vale ou não vale o preço de um bilhete?”

Roda, roda, roda
roda que roda num redemoinho
roda, roda, roda
finge que voa o cavalinho.

Pois fingia, realmente, mas não voava. Que triste sina esta a do cavalo branco às estrelas azuis. Não bastavam as voltas que tinha dado, e tantas, no carrossel?

Noites e noites rodou, trotou, dançou na pista do circo… Até que um dia se fartou.

— Chega — disse o cavalinho e pôs-se a andar de ali para fora.

Nem o torrão de açúcar, sempre prometido, sempre adiado, foi reclamar. Dali não levava nada.

Voltou a correr pelos campos, a saltar valados, a chapinhar nos regueiros… Que bom!

Mas, ao que dizem, o que é bom não dura sempre… Um dia, um lavrador que o vira saltar para dentro da herdade, correu atrás dele e, com algum custo, prendeu-o a uma nora. Mas primeiro tomou o cuidado de lhe tapar os olhos com uma venda.

— Por causa das tonturas — explicou ele.

Isso que fazia? Tanto já o cavalinho tinha andado à roda, que se tinha curado das tonturas. Do que não gostava era de andar sempre a pisar o mesmo caminho. Não haveria outro emprego para um cavalo branco com estrelas azuis?

Roda, roda, roda
na giga-joga o cavalinho
roda, roda, roda
e sempre à roda mói o caminho.

Talvez fosse possível arranjar outra profissão mais agradável. Qual seria? Deu voltas e voltas e decidiu desempregar-se mais uma vez, sem dar contas a ninguém. Libertou-se da nora, nem sabemos como, e tomou por uma estrada que a algum sítio devia levar.

Pelo mesmo caminho ia um cavalo castanho a puxar uma carroça.

“E se eu fosse também um cavalo de carroça?”, pensou o cavalinho branco às estrelas azuis.

Olhou para o cavalo castanho e viu-o tão triste e tão atormentado pelas moscas, que desistiu.

Em sentido contrário vinha um esquadrão de cavalaria da Guarda Republicana. Que lindos cavalos e que imponentes cavaleiros! “E se eu fosse atrás deles?”, lembrou-se o cavalinho.

Mas o suor escorria do pescoço dos cavalos. Era de tanto terem galopado. E — reparou ainda o cavalinho — as estrelas de metal que os cavaleiros traziam nas botas deixavam um rasto sangrento na barriga dos cavalos. Chamavam àquilo as esporas…

“Ah, sendo assim já não vou”, decidiu o cavalinho branco às estrelas azuis.

Continuou o seu caminho. Foi ter a uma cidade e a um grande largo onde um cavalo de bronze reluzia à luz do sol.

O cavalinho, ao vê-lo, exclamou:

— Ora aqui está um emprego que me calhava. Ninguém nos incomoda e, uma vez por outra, até nos tiram um retraio.

Respondeu-lhe, de cima do seu pedestal, o cavalo de bronze:

— Nem penses nisso. Estou aqui à chuva e ao sol, todo o tempo, e com uma pata no ar, sempre na mesma posição, a fingir que ando, mas não ando, e tu ainda achas que o emprego é bom!? Sonha com outra coisa, mas nunca queiras ser estátua.

Então que havia ele de ser? Sim, que modo de vida podia convir a um cavalinho branco às estrelas azuis?

Deu voltas à cidade, deu voltas à cabeça e, por fim, mirando a montra de uma casa de brinquedos, descobriu a sua vocação — iria ser cava­lo de brincar. Postou-se à porta, ao lado dos cavalos de pasta e dos cavalos de madeira e esperou que alguém o quisesse levar. Não esperou muito.

O cavalinho branco às estrelas azuis anda agora nas suas sete quintas. É, agora, cavalo de baloiço, cavalo de balancé… Emprego melhor não conhece. Finge que é cavalo de carrossel, cavalo de carroça, cavalo da Guarda, cavalo de circo, mas é apenas um brinquedo nas mãos de um menino. Bem bom.

De Quem é este chapéu? de Gill Pittar

imagem_historia02_small

Era Verão outra vez.

Milly e Molly tinha terminado o piquenique quando um grande chapéu de palha castanho apareceu a voar pela praia.

— De quem será? — perguntou Milly.

— Anda, vamos descobrir — sugeriu Molly.

Não foi preciso perguntar aos dois meninos que cavavam buracos na areia. Viam-se as pontas dos seus chapéus.

O chapéu de palha não era deles.

Não foi preciso perguntar ao pescador, que estava sentado numa rocha. Ele tinha o boné bem enfiado na cabeça. O chapéu de palha também não era dele.

Não foi preciso perguntar à senhora que estava a encher o cesto com algas. Ela tinha a mão em cima do seu chapéu pois o vento queria levá-lo. O chapéu de palha também não era dela.

Não foi preciso perguntar às meninas que construíam castelos na areia. Elas tinham os chapéus presos com uma fita debaixo do queixo. O chapéu de palha também não era delas.

Não foi preciso perguntar às pessoas que apanhavam sol e mexiam os pés. Estavam debaixo de um grande chapéu-de-sol e não precisavam de proteger a cabeça. O chapéu de palha também não podia ser delas.

Não foi preciso perguntar ao senhor de bengala. Ele tinha o cabelo revolto a sair debaixo do seu gorro. Não era dele.

Não foi preciso perguntar aos surfistas. Eles tinham creme no nariz e os cabelos ao vento. De certeza que não era deles.

E dos quatro mergulhadores?

Na areia estavam quatro pares de botas mas apenas três chapéus!

Será que o chapéu de palha era de um deles?

Milly e Molly colocaram o grande chapéu de palha por baixo do quarto par de botas e correram para junto do seu cesto de piquenique.

No caminho para casa, passaram por várias pessoas, umas com chapéu, outras sem chapéu.

— Espero que tenhamos encontrado o dono certo — disse Milly.

Tesouro no Fundo do Mar

de Anne Civardi, Joyce Dunbar, Kate Pety, Louisa Somerville

imagem_historia03_small

Fecha os olhos e imagina-te sentado num barco que flutua no mar calmo. Quando olhas para baixo e vês as ondas que se agitam, a tua lanterna mágica capta o luar. Brilha como um Caminho Encantado no azul profundo do mar. Onde irá levar-te esta noite?

Escorregas até à água quente e nadas como um peixe, entrando e saindo do teu próprio trilho de bolhas brilhantes. Depois, como por magia, as bolhas transformam-se em pequenos cavalos-marinhos, andando para cima e para baixo na água ao teu lado. Seguem em frente e param, vão em frente e esperam novamente. Tens a certeza de que querem que os sigas. Por isso vais atrás deles!

Um cardume de peixes prateados brilha à tua volta, centenas e milhares deles fazem cócegas na tua pele. Os cavalos-marinhos nadam à tua frente. É como se estivessem a indicar-te o caminho — ali à frente, estrelas-do-mar cintilam em cavernas submarinas e, mais além, estão ostras cujas pérolas reluzem como pequenas luas.

Vês agora as bonitas cores do recife de coral. O coral parece um castelo gigante guardado por ouriços-do-mar. À medida que vais nadando pelas pequenas e grandes torres do coral, reparas numa coisa que brilha nas profundezas da água. O que será?, interrogas-te.

Cheio de entusiasmo, aproximas-te nadando. É uma arca do tesouro! A tampa não está bem fechada e vês pequeninos pares de olhos a espreitar por entre aquela escuridão. Devagar, abres completamente a tampa e vários caranguejos pequeninos e engraçados fogem cá para fora.

Depois vês as jóias e os colares cintilantes, as pulseiras e as fivelas. E um monte de moedas de ouro. Um dos cavalos-marinhos roça com a cauda num anel de rubi. “Experimenta”, parece estar a dizer-te. A jóia reluz no teu dedo e interrogas-te a quem terá pertencido. A um grande duque que navegou pelo oceano com os seus navios? Ou talvez a uma princesa, que navegava porque ia casar com um príncipe que vivia num país distante? Os cavalos-marinhos brincam com as jóias e as moedas brilhantes. “Vá, leva uma parte do tesouro”, parecem estar a dizer.

Talvez só uma coisinha, pensas. Afinal, quem iria sentir a falta de uma pequena moeda depois destes anos todos? Mas a moeda não é tua. Decides que é melhor voltar a colocá-la no lugar e deixá-la escondida aqui debaixo do mar. Talvez outra pessoa possa gostar de a encontrar um dia.

Agora é tempo de partir. Despedes-te dos cavalos-marinhos e sobes velozmente mar acima, deixando um rasto de bolhas. Ao chegares a superfície, vês o sol nascente refletido no mar. Parece um disco brilhante, como a moeda de ouro que tiveste na mão.

Apesar de a moeda já aqui lido estar, lembras-te dela na tua cabeça. Sabes que estará sempre lá para te recordar a arca do tesouro e o lindo mundo que viste nas profundezas do mar.

Onde está o Jaime? de Gill Pittar

imagem_historia04_small

Certo dia, na escola, a carteira do Jaime estava vazia.

O Jaime não era desses meninos que ficam na cama por causa de uma gripe ou de uma queda. Não era desses meninos que arranjam desculpas para ficar na cama. O Jaime adorava a escola. Gostava de participar em tudo.
Mas o melhor de tudo era que o Jaime gostava de cultivar plantas.

Tinha sempre alguma coisa a crescer num vaso ou um pacote de sementes no bolso.

Se fosse mandado embora da aula de Matemática, por estar a conversar, escapava-se sempre para ajudar o jardineiro.

Mas o Jaime nunca faltava à escola.

Aquilo era muito, muito estranho.

No dia seguinte, a carteira do Jaime estava outra vez vazia.

… e no outro dia a seguir também.

Quando, no final da semana, a carteira dela ainda estava vazia, Milly, Molly e todos os amigos do Jaime estavam mesmo muito preocupados.

Sentiram-se reconfortados, quando a Professora Adelaide lhes disse que o Jaime devia estar com papeira ou com sarampo. Todos esperavam que ele voltasse depressa para a sua carteira.

Mas, certa manhã, a Professora Adelaide parecia diferente. Sentou-se na pequena cadeira, no meio da sala, e pediu a todos que se juntasse à volta dela.

Explicou com voz suave que o Jaime não ia voltar à escola. Baixinho, contou-lhes que o Jaime tinha sido levado para o hospital e que tinha morrido, em paz, durante a noite.

A Professora Adelaide abriu os braços à volta deles e todos choraram.

A Professora Adelaide não se importou com as lições de Matemática e de Gramática desse dia.

E ninguém teve vontade de cantar ou de brincar durante o recreio.

A Professora Adelaide queria conversar com os seus alunos, responder às suas perguntas e dar-lhes muitos abraços.

Milly e Molly sentiram-se tristes ao ver a carteira vazia do Jaime. Mas também não queriam que a Professora Adelaide a tirasse dali.

Decidiram colocar um ramo de flores na carteira do Jaime e isso ajudou, durante algum tempo. Todos levavam flores dos seus jardins e mantinham o ramo do Jaime sempre muito bonito.

Quando todos estavam preparados, retiraram a carteira do Jaime.

Milly e Molly arrumaram, com muito cuidado, os livros e os objectos do Jaime numa caixa, para a mãe dele levar.

Num cantinho da carteira do Jaime, no meio dos lápis e canetas, Milly e Molly encontraram um pacote de sementes.

Com o acordo da mãe do Jaime, Milly e Molly colocaram as sementes no jardim da escola, num dia quente e cheio de sol.

Regaram e esperaram…
e esperaram e regaram.

Ao décimo segundo dia, uma fila de pequenas plantas verdes começou a romper o solo. Lentamente, todos os dias iam crescendo.

De repente, a planta do meio tornou-se muito mais alta.

Cresceu tanto, que teve de ser atada à vedação. E depois, como se fosse milagre, de um dia para o outro… floriu um grande girassol com uma face redonda e risonha! Milly, Molly e todos os amigos do Jaime ficaram muito contentes.

O Jaime estava de volta, no meio de todos os seus amigos.

Espero que tenhas gostado destas quatro histórias. Deves ter a tua imaginação a “fervilhar”. Diz nos comentários o que é que achaste destas histórias!

Arquivado na categoria: Histórias


1 Comentário

  1. Excelente ideia nada como uma criança sugerir a “crianças”!

    Alguns até vão começar a gostar de ler antes de ir dormir so para pegarem no ipad do pai/mãe :-).

Deixar uma resposta


Aviso: Todo e qualquer texto publicado na internet através deste sistema não reflete, necessariamente, a opinião deste site ou do(s) seu(s) autor(es). Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso. O autor deste site reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional ou inseridos no sistema sem a devida identificação do seu autor (nome completo e endereço válido de email) também poderão ser excluídos.