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8 perturbações provocadas pelo uso da tecnologia

A Internet está a capturar a atenção de miúdos e graúdos, vemos em todo o lado as pessoas com os smartphones constantemente nas mãos. As redes sociais têm cada vez mais utilizadores e o mundo está encantado pela web.

Mas que problemas acarretam ao ser humano esta feroz dependência da Internet? Vários, desde os que já vemos no dia a dia, como as alterações no nosso comportamento e da nossa intuição até a certas novas perturbações ligadas ao mundo digital.

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Estas perturbações já são conhecidas há alguns anos, e foram inclusive motivo de debate pela American Psychiatric Association, onde esta veio incluir algumas perturbações relacionadas com as tecnologias, que os antecedentes não abrangeram. Esta, e outras inclusões, têm sido alvo de alguma polémica tanto entre os profissionais de saúde mental como os psicólogos.

Vamos conhecer as 8 novas perturbações provocadas pelo uso da tecnologia.

 

Síndrome do toque fantasma

O sintoma característico desta perturbação é termos a sensação de que o nosso telemóvel está a vibrar ou tocar e, assim, vamos buscá-lo de forma a saber quem está a ligar. É já um comportamento automatizado e condicionado (teoria de Pavlov) em que basta um pequeno estímulo para reagirmos e realizarmos um determinado comportamento.

Segundo o Dr. Larry Rosen, autor do livro iDisorder, 70% dos utilizadores intensivos de smartphones/tablets, afirmaram ter passado por esta experiência. Para Rosen, se antigamente quando sentíamos um ‘formigueiro’ no bolso pensávamos que seria alguma comichão, actualmente, assumimos que seja o nosso telemóvel, uma vez que esse estímulo envia informação ao nosso cérebro, através dos neurotransmissores, que causam ansiedade ou prazer e nos fazem reagir, tendo determinado comportamento.

Esta perturbação poderá evoluir para outras aquando da existência em massa das tecnologias ‘vestíveis’.

 

Depressão causada pelo Facebook

É claro que para se considerar uma depressão deve haver já alguma predisposição na personalidade da pessoa para ter esta perturbação. Agora o que podemos ver e induzir, em muitos casos, são estados depressivos que, facilmente, são expostos no Facebook.

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Esta depressão é causada pela excessiva interação social online, o que pode provocar sentimentos de isolamento, inutilidade, comparação da nossa vida com a dos outros, falta de energia, falta de sono, etc.

Um estudo da Universidade de Michigan demonstra que o grau de depressão entre os jovens está correlacionado com o tempo que gastam no Facebook.

Isto pode dever-se a que, por norma, as pessoas tendem a colocar no Facebook coisas boas, férias, vida descansada, carros, casas, promoções no trabalho, festas, etc. Assim, facilmente nos comparamos com os outros e temos tendência a desvalorizarmos a nossa vida.

O conselho é não acreditar em tudo o que se lê nesta e noutras redes sociais. Vejam aqui os tipos de pessoas que encontramos no Facebook.

 

Dependência em Jogos Online

Já aqui escrevemos sobre a Dependência na Internet e nos Jogos Electrónicos, e existe um conjunto de sintomas que até podem ser familiares a muitos dos nossos leitores.

Sabemos que os jogos têm a característica de ser aditivos, e por isso passamos muito tempo a jogá-los.

Mas o problema é quando não nos conseguimos controlar e temos a necessidade de estar sempre a jogar e, consequentemente, negligenciarmos as tarefas básicas do ser humano como dormir, comer, tomar banho, etc.

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No DSM-V ainda não foi incluído como perturbação única, no entanto existe uma secção na American Psychiatric Association, o que leva a entender que este comportamento será alvo de mais investigação para que possa vir a ser colocado junto de outras perturbações aditivas como as de psicotrópicos, estupefacientes e apostas.

Segundo o Dr. Rosen, quando somos dependentes de alguma coisa, o cérebro está constantemente a indicar-nos que necessitamos de alguns neurotransmissores, como dopamina e seretonina, de forma a saciar o nosso desejo.

 

Nomophobia

Esta perturbação demonstra-se a partir de ansiedade que surge devido a não termos acesso aos dispositivos móveis ou à Internet. Imaginem-se num local onde não possam levar o vosso telemóvel/tablet/pc, ou até que ficam sem bateria. Uma vez que estamos habituados a ter acesso a estes equipamentos, é difícil conseguirmos lidar com o facto de não os termos por um período significativo de tempo.

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Temos necessidade de constantemente ir ver o e-mail, se temos chamadas, o que se passa no Facebook, tirar as tão famosas selfies e até ver as horas. Nomophobia surge da abreviatura de No Mobile Phobia, que significa ficar medo de ficar sem telemóvel. E essa ausência causa-nos ansiedade, sendo mais significativa nos utilizadores mais intensivos.

O DSM-V incluiu esta perturbação, e existe forma de tratamento no Centro de Recuperação Morningside em Newport Beach, Califórnia.

 

Cybersickness – Náusea Digital

Esta perturbação caracteriza-se pela desorientação e vertigem sentida quando somos expostos a determinados ambientes gráficos.

Demasiada cor e estímulos visuais podem mesmo desencadear conflitos nos circuitos cerebrais e levar a convulsões.

Por exemplo, apesar do aspecto do iOS 7 da Apple ser bonito e limpo, a verdade é que originou várias reclamações de utilizadores que se sentiram desorientados e com náuseas depois de utilizarem a nova interface.

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Um dos motivos está relacionado com os efeitos que o aspecto faz, o que leva a que os utilizadores tenham a falaciosa percepção de que os icons estão a mover-se num mundo tridimensional.

O termo, designado cybersickness, surgiu em 1990 para descrever a sensação de desorientação sentida por utilizadores iniciantes dos sistemas de realidade virtual.

 

Dependência da Internet

Semelhante aos jogos electrónicos, a dependência da Internet caracteriza-se pela vontade constante de acedermos à Internet.

No nosso artigos de 2010, a Dr. Kimberly Young – responsável pelo Centro de dependência da Internet- , indicava como sendo sintomas da Dependência da Internet:

  • Preocupação excessiva com a Internet;
  • Necessidade de aumentar o tempo online para ter satisfação;
  • Exibir esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da Internet;
  • Presença de irritabilidade e/ou depressão;
  • Quando o uso da Internet é restringido, apresentar labilidade emocional (Internet serve como forma de regulação emocional);
  • Permanecer mais online que o programado;
  • Trabalho e relações sociais em risco pelo uso excessivo;
  • Mentir aos outros a respeito da quantidade de horas online.

Assim, trata-se de um uso excessivo e irracional da Internet, negligenciando as consequências que possa ter no nosso quotidiano.

A Dra. Young, correlaciona ainda esta dependência a uma baixa auto-estima, baixa-auto-suficiência e más habilidades.

 

Cybercondria – Hipocondria Digital

Decerto que já vos aconteceu ter alguma dor ou sintoma qualquer e, quando pesquisam na Internet sobre isso, descobrem que têm alguma coisa má. Por norma surgem logo resultados para doenças como Cancro, Tumores, Sida, etc.

Assim, há a tendência para se acreditar nesse ‘diagnóstico’ e assumir que se tem mesmo aquela doença sem primeiro consultar um médico/especialista.

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Um estudo da Microsoft de 2008 revelou que os auto diagnósticos feitos a partir de pesquisas online, por norma, levam a que concluamos o pior.

Segundo o Dr. Rosen, a Internet pode acentuar os sentimentos existentes de hipocondria e, consequentemente, causar ansiedade. Existem muitas informações online, umas verdadeiras e outras nem por isso. Portanto, na dúvida, consulte o seu médico.

 

O Efeito Google

O Google é, sem dúvida, uma ajuda preciosa para pesquisar diversos assuntos, tirar dúvidas, encontrar imagens, procurar algo, etc. Mas, isso também traz algumas consequências. Uma vez que podemos ter acesso fácil e simples a esta funcionalidade, temos tendência a não reter tanta informação de forma a recuperá-la posteriormente, uma vez que sabemos que o Google nos dá a informação que necessitamos em poucos segundos, substituindo, por assim dizer, a nossa memória.

Este cenário promove a preguiça e, segundo o Dr. Rosen, o efeito Google até pode não ser uma coisa má, podendo ser visto como um novo paradigma social em que o ser-humano tem acesso a muita mais informação, tornando-nos mais informados.

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Por outro lado, isso vai também promover que não tenhamos tantos conhecimentos de forma intrínseca, ou seja, sempre que não estejamos junto de um equipamento onde possamos aceder ao Google, temos que recorrer aos conhecimentos que temos na nossa memória a longo prazo e que são menores a nível quantitativo.

Revêem-se nalguma destas perturbações?

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